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  • Mateus Cosac

Morning Call - 31/10/2019

O Fed cortou os juros americanos em 0,25 pp ontem, como o esperado, mas foi o comunicado e a fala posterior de Jerome Powell que fizeram a diferença para os ativos globais. Depois de o comunicado do Fed suprimir a expressão “agir conforme o apropriado” e ser interpretado como um sinal de pausa nos cortes, pelo menos neste ano, Powell disse que uma inflação “séria” seria necessária para pressionar o BC americano a elevar os juros, o que aliviou a pressão dos ativos. O que se viu foi uma reviravolta nas moedas, nos títulos e nas ações. O dólar caiu - e aqui reverteu a alta, para nível abaixo de R$ 4,00 novamente, o rendimento da treasury de 2 anos virou de alta para baixa, e o S&P 500 e o Ibovespa renovaram recordes. Já os juros futuros tiveram pouca alteração, uma vez que o mercado esperava a decisão do Copom. A reportagem da Globo citando Bolsonaro no caso Marielle, que desencadeou resposta furiosa do presidente, não teve influência sobre os ativos, pois prevaleceu a visão de que o caso não afeta as reformas. Mais tarde, a procuradoria do MP do Rio disse que a informação dada pelo porteiro do condomínio do presidente era falsa. O anúncio do pacote pós-Previdência foi adiado para 5 de novembro.


Hoje, a mensagem do BC, após a reunião do Copom de ontem, deve gerar ajuste na curva de juros e câmbio pode reagir favoravelmente, dado que um BC ultra dovish era visto como risco para o fortalecimento. O Copom reduziu a Selic a 5,00% (esperado) e indicou novo corte de 50 bps no fim do ano, mas adotou parcimônia ao dizer que há espaço a mais “um” ajuste de igual magnitude, com eventuais novos movimentos pedindo cautela. Para analistas, inflação abaixo da meta até 2021 permite novos cortes, mas serão desencorajadas apostas mais agressivas, em reduções de até 0,75 pp e de Selic final abaixo de 4%. BC alertou sobre risco de efeitos defasados do juro menor e foi levemente mais positivo sobre atividade. Ameaça vem do exterior, com pares do real e bolsas em baixa com dúvidas sobre acordo EUA-China. No pós-Fomc e véspera do payroll, EUA divulgam PCE.


Bom dia a todos.

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