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  • Mateus Cosac

Morning Call - 27/03/2019

A decisão do ministro Paulo Guedes de não comparecer à sessão da CCJ que estava marcada para o início da tarde acendeu novamente para o mercado o alerta de instabilidade política, sendo fator decisivo ontem para a alta do dólar e dos juros futuros. Este era o evento mais aguardado do dia e visto como uma oportunidade de o ministro reforçar a defesa da reforma da Previdência e contribuir para suavizar o clima de atritos acirrado desde o final da semana passada. O dólar até reduziu um pouco a alta quando foi anunciada uma sessão extraordinária da comissão ao final da tarde, mas foi algo momentâneo, e o dólar fechou o dia por aqui aos R$ 3,8754. A bolsa, no entanto, descolou do comportamento do dólar e dos juros e encerrou o dia em alta de 1,76% aos 95.306 pontos.


Lá fora, as bolsas americanas reduziram ganhos com pressão negativa de ações da Apple após juiz defender bloqueio de alguns iPhones importados em meio à disputa por patente com a Qualcomm. Ativos de risco se recuperam com avaliações de que a recente onda de vendas nos mercados globais foi exagerada. Ainda nos EUA, dados de início de obras de moradias e de alvarás ficaram abaixo do previsto em fevereiro; o indicador Conference Board de confiança do consumidor também frustrou expectativas. No mercado de moedas, o dólar subiu mesmo com dados econômicos decepcionantes; e o rendimento das treasuries de 10 anos subiram, depois de ter fechado na véspera abaixo de 2,4%. A Goldman Sachs juntou-se a outros que recomendaram evitar o pânico sobre a inversão da curva de juros americana, que, segundo o banco, não é tão intensa quanto em recessões anteriores.


Hoje a preocupação com o futuro da reforma da Previdência deve aumentar no mercado após a Câmara, em votação relâmpago, impor derrota severa a Bolsonaro, aprovando com mais de 400 votos a emenda que reduz a margem de manobra do governo com o orçamento, na contramão do ajuste fiscal. Jornais tratam a PEC como retaliação dos deputados ao presidente, mas Maia nega. Revés ocorre após Guedes ter cancelado na véspera ida à CCJ, que segue sem nomear relator e pode votar reforma apenas em 17 de abril. Após o dólar retomar a alta ontem, o BC anunciou que fará dois leilões de linha de até US$ 3 bi na sexta-feira. Exterior também tem sentimento negativo, com juros dos títulos soberanos e moedas emergentes em queda, enquanto bolsas europeias recuam.



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