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  • Mateus Cosac

Morning Call - 26/07/2019

O conteúdo da entrevista ontem, do presidente do BCE, Mario Draghi, não foi tão dovish (flexível) quanto os mercados previam, na sequência da esperada decisão de manutenção dos juros, frustrando as expectativas majoritárias e lançando dúvidas sobre se o otimismo em relação a outros BCs - principalmente o Fed - estaria exagerado. O resultado foi uma redução do apetite ao risco e um pouco mais de cautela nas avaliações quanto aos estímulos globais que podem ser oferecidos pelos BCs. Isso afetou diretamente o mercado brasileiro, onde o dólar subiu, chegando a superar R$ 3,80 pela primeira vez desde a aprovação da reforma da Previdência, mas encerrou o dia aos 3,7792. Os juros curtos permaneceram estáveis em meio à perspectiva de corte de juros pelo Copom, enquanto os longos subiram. A precificação na curva de juros seguiu mostrando chances maiores de redução em 0,50 pp na próxima reunião do Copom, mas há quem acredite que o mercado brasileiro pode repetir a frustração vista com o BCE. A bolsa caiu 1,41% aos 102.654 a maior queda em um mês.


Lá fora, as bolsas americanas caíram em meio a enxurrada de balanços. Todos os 11 setores do S&P fecharam em queda um dia após o índice chegar à máxima histórica. Resultados têm sido na maioria positivos para as ações, mas ainda permanecem preocupações com a desaceleração da economia global e as questões sobre o comércio.


Hoje os mercados amanheceram sem direção clara antes da divulgação do PIB anualizado dos EUA, que deve ser o dado mais importante conhecido antes do Fomc e do Copom, na próxima quarta-feira. Estimativas são de que a economia americana tenha desacelerado de +3,1% para +1,8% no 2º trimestre, mas outros números, como PCE e consumo pessoal, têm previsões de aceleração. O dólar sobe contra maioria das demais moedas. No Brasil, BC anuncia leilão de linha para dar liquidez ao mercado após dólar chegar a testar R$ 3,80 nesta quinta, mas volume é discreto, de até US$ 1 bilhão. Agenda de indicadores traz resultado do governo central, com previsão de déficit, e dados de crédito, com estimativa apontando aceleração do volume total. Bolsonaro diz que a economia já dá sinais de recuperação e comemora dados de emprego (Caged), que superaram expectativas, mas governo estaria estudando novo estímulo após FGTS.



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