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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 22/04/2020

Segunda: O mercado de juros futuros viveu um dia de forte reprecificação a partir de falas do presidente do BC, Roberto Campos Neto, e do diretor Fabio Kanczuk, consideradas dovish (flexível) pelos investidores em relação a declarações anteriores. As taxas de desabaram, sobretudo no miolo da curva, e a precificação do mercado agora é de queda da Selic em torno de 1 ponto percentual neste ano. Ao final da tarde, em outra teleconferência, Campos Neto afirmou que atuará na parte longa da curva de juros em caso de disfuncionalidade, da mesma forma que faz com o câmbio. Disse também que política de QE tem mais eficiência se “juro já caiu tudo” e que Brasil ainda está bem longe disso. O dólar subiu e chegou perto de R$ 5,32, voltando momentaneamente ao patamar de R$ 5,30 após leilão de moeda à vista pelo BC. O mergulho do petróleo para inédito preço negativo, que chegou a -US$ 40,00 o barril, também pesou para os mercados de câmbio e juros, assim como para queda da Petrobras. O Ibovespa não teve fôlego para sair da linha d’água, mas, em meio ao vencimento de opções sobre ações, ainda se saiu melhor do que as bolsas americanas, que caíram mais de 1%. O espectro do ruído político interno, com a agudização do conflito entre Bolsonaro, de um lado, e Congresso e Judiciário do outro, deixou o mercado desconfortável ao longo da sessão e pesou principalmente no dólar. No EXTERIOR, as bolsas americanas caíram em sessão de queda sem precedentes dos preços do petróleo. Ações de energia lideraram as perdas. O petróleo futuro caiu abaixo de zero pela primeira vez na história, já que a turbulência econômica causada pela crise do coronavírus deixou os operadores desesperados para evitar a entrega de óleo bruto. Hoje: Mercado brasileiro pode se ajustar na volta do feriado à intensificação do colapso do petróleo. WTI chegou a US$ 11 e brent a US$ 17 ontem, derrubando bolsas e ativos brasileiros como o EWZ. Ajuste pode ser amenizado por ensaio de melhora dos mercados nesta manhã. Apesar do excesso de oferta gerado pela pandemia seguir derrubando o petróleo, o S&P futuro e moedas emergentes indicam leves ganhos. No Brasil, SP e outros estados já preparam flexibilização do isolamento, mesmo com a expansão dos casos da Covid-19. Na agenda, arrecadação federal e vendas do Pão de Açucar testam efeito do coronavírus. Campos Neto descarta perda de potência da política monetária, em meio ao aumento das apostas em corte da Selic. Na cena corporativa, Embraer avalia estender limite para acordo com Boeing e Klein deixa presidência do conselho da Via Varejo. Bom dia a todos.

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