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  • Mateus Cosac

Morning Call - 22/03/2019

Os ativos brasileiros aliviaram a parte das perdas do dia depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse, no meio da tarde de ontem, que as prisões do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco não afetam as reformas. Genro de Moreira Franco, Maia tem papel-chave no Congresso para a tramitação da proposta de reforma da Previdência, que, antes das prisões, já tinha mostrado dois reveses: a má receptividade à proposta previdenciária dos militares, com economia aquém da esperada, e o adiamento da escolha do relator da CCJ. O dólar chegou a subir 1,6%, para R$ 3,8370, no ápice do nervosismo com as prisões, até voltar a rondar o nível de R$ 3,80 com a fala de Maia. A bolsa chegou a cair mais de 2%, até fechar em baixa de 1,34% aos 96.729 pontos. Os juros futuros também amenizaram o avanço visto mais cedo. De toda a maneira, ficou uma dose de incerteza sobre o quão longe pode ir o caso das prisões desta quinta-feira e seus possíveis efeitos sobre nova tentativa de mudar a Previdência.


Lá fora, o S&P 500 subiu mais de 1% rumo ao nível mais elevado em 5 meses day after do anúncio do Fed de que não planeja elevar os juros em 2019. A libra reduziu a queda após a informação de que a UE pode considerar adiar o Brexit. O petróleo recuou do nível mais elevado em quatro meses com a alta do dólar contendo o rali estimulado pela maior queda desde julho de estoques americanos.


O mercado hoje deve continuar reagindo a turbulência política interna que ainda deve se somar ao humor negativo dos mercados externos após dado frustrante de atividade na Alemanha renovar receios de desaceleração, que já haviam sido emitidos pela surpresa dovish do Fed. Os yields alemães de 10 anos caem abaixo de zero pela primeira vez desde 2016, enquanto o dólar sobe e bolsas caem. O receio de que guerra comercial esteja afetando a economia global amplia o foco em dados como o PMI dos EUA, que sai às 10:45. No Brasil, jornais destacam piora adicional da perspectiva para a reforma com a prisão de importantes figuras do MDB. Ainda hoje, novo teste de confiança ocorre com leilão de terminais portuários, após sucesso com aeroportos uma semana atrás.




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