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  • Mateus Cosac

Morning Call - 20/09/2019

A reação dos juros e do câmbio ontem foi compatível com o tamanho da surpresa que projeções bem mais baixas de inflação por parte do BC causaram no mercado após a reunião do Copom na véspera. O dólar subiu mais de 1% e chegou a superar R$ 4,16, com o real mostrando pior desempenho entre divisas emergentes, e os juros desabaram, com alguns vértices chegando a cair mais de 20 pontos durante o dia. O mercado entendeu que a Selic tem espaço para cair abaixo de 5% até o final deste ano e a curva de juros já precificava algo em torno de 4,5%. Uma onda de revisões nas estimativas para o juro básico foi desencadeada a partir da sinalização do comunicado do Copom, que praticamente encomendou outro corte de juro na reunião de outubro. Mas alguns riscos também foram levantados por analistas: o de o mercado de juros ser mais dovish (flexível) do que o BC e exagerar na baixa e o de a autoridade estar subestimando o pass-through (repasse) do câmbio na inflação. A bolsa abriu o dia com reação positiva ao Copom e ao reajuste de preços por parte da Petrobras, chegando aos 106.000 pontos. No entanto, o movimento esfriou à tarde junto com as bolsas americanas, diante de nova ameaça de aumento de tarifas pelos EUA contra a China.


La fora, as bolsas americanas encerraram o dia de ontem devolvendo ganhos vistos mais cedo após o conselheiro do presidente Donald Trump, Michael Pillsbury, dizer em entrevista ao South China Morning Post que entre as opções para a escalada da guerra comercial está o aumento de tarifas, que poderiam chegar a 50% ou 100%. Segundo o conselheiro, estavam errados quem assumiu que o presidente blefou quando ameaçou uma guerra comercial total. BCs da Suíça, Japão e do Reino Unido ficaram de fora da onda de alívio monetário.


Hoje o dólar recua no exterior em um dia de noticiário fraco, com mercado voltando o foco para a guerra comercial após semana marcada por decisões de política monetária. Notícias específicas movem os ativos, com libra fortalecida por perspectiva sobre Brexit. Após Fomc se mostrar dividido sobre perspectiva para juros, mercado deve monitorar falas de dirigentes do Fed. No Brasil, questão é se alívio do câmbio no exterior será suficiente para aplacar o impacto do comunicado dovish do Copom. Juros futuros ainda podem ter espaço de queda. Bolsonaro reafirma autonomia da Petrobras.


Bom dia e um excelente final de semana a todos

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