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  • Mateus Cosac

Morning Call - 19/03/2020

Ontem: Em mais um dia de forte aversão ao risco provocado pelo choque global do coronavírus, o dólar chegou a disparar ao novo recorde acima de R$ 5,25, os juros longos avançaram mais de 100 pontos, depois de baterem limites de alta, e o Ibovespa desabou 10%, após mais um circuit breaker. O BC entrou com US$ 2 bi de linha e US$ 860 mi em spot, com leilões pela manhã e à tarde. A autoridade monetária também trouxe uma inovação: repos com títulos em dólar, instrumento usado em 2008, para dar saída aos investidores. O quadro traz o temor de recessão, tanto que o JPMorgan e o Goldman Sachs reduziram a projeção para o PIB deste ano a -1% e -0,9%, respectivamente, e de piora fiscal, com o estado de calamidade pública. No final do dia, as atenções locais se voltavam ao Copom, com aposta de corte de 0,50 pp embutida na curva e expectativa sobre anúncio extra de um programa mais amplo de ação do BC no câmbio. No EXTERIOR, as bolsas americanas também tiveram nova sessão de fortes quedas após atingirem nível mais baixo em três anos. A fuga de ativos de risco se intensifica diante das consequências econômicas da pandemia de coronavírus e do aumento do número de infecções, que ofuscam as respostas para conter o impacto da doença.


Hoje: O Copom anunciou o corte da Selic para 3,75%, como o previsto, com um comunicado visto como “hawkish“ (duro) por alguns analistas, por mencionar cautela com a atual conjuntura e alertar sobre risco de mudança nas contas públicas. Tom austero pode gerar algum ajuste na curva de juros, mas dificilmente deve barrar o enfraquecimento do real. Em parte, por que o BC falou em usar “arsenal”, mas não anunciou o plano de atuações esperado por parte do mercado. O principal motivo, contudo, é que o fortalecimento do dólar é um processo global, diante da extrema aversão ao risco gerada pelo coronavírus. Nesta quinta, o índice dólar tem a 8ª alta, perto do maior nível em ao menos 15 anos. Coroa norueguesa despenca e BC do país considera intervir. Até mesmo o tradicional porto seguro do iene sucumbe ante a moeda americana. BC europeu anuncia amplo estímulo e derruba yields europeus, mas não melhora o humor geral nos mercados. Bolsas europeias amanhecem de lado com o petroleo subindo 13%, depois de tombar 26% ontem.

No Brasil, Câmara aprova pedido de calamidade e casos do vírus superam 500. O declínio da atividade tende a se agravar com montadoras parando fábricas e fechamento do comércio em São Paulo. Impacto nas empresas prossegue: redução da capacidade da Azul pode ir a 80%, Renner interrompe atividades em lojas em SP e Tupy dará férias coletivas.


Bom dia a todos.

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