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  • Mateus Cosac

Morning Call - 18/05/2020

Sexta: O pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, revelado no início da tarde, estressou os ativos brasileiros, depois de uma manhã de muita volatilidade. Ainda que esperada, a saída de Teich menos de um mês depois de assumir a pasta no lugar de Mandetta, evidenciou mais um risco político e a dificuldade na coordenação do combate à pandemia, algo que está no radar dos investidores. Cada vez mais a percepção é de que os países que melhor enfrentarem o coronavírus mais cedo poderão reabrir suas economias e com menor custo. E nisso o Brasil não está fazendo boa figura. O dólar subiu e o movimento só foi limitado pela interpretação do mercado de que o BC pode atuar mais agressivamente no câmbio, desde que, na véspera, intensificou suas intervenções. A bolsa perdeu quase 2%, na contramão de NY e na véspera de vencimento de opções sobre ações. Os juros futuros caíram ao longo de toda a curva, depois que o IBC-Br, considerado proxy do PIB, mostrou contração de 5,90%, levando à leitura de que a economia pode levar bem mais tempo do que o imaginado antes para se recuperar e que a Selic pode ficar baixa por longo período. LÁ FORA, as bolsas americanas subiram apesar da crescente tensão comercial entre EUA e China e dados econômicos negativos. EUA restringiu a aquisição de semicondutores pela Huawei e a China estaria pronta para tomar uma série de contramedidas em relação ao plano do governo americano. Vendas no varejo dos EUA despencaram em abril. Fed emitiu alerta severo de que os preços das ações e de outros ativos podem sofrer “quedas significativas” caso a pandemia de coronavírus se aprofunde. Hoje: Bolsas e moedas emergentes sobem no exterior com reabertura dos negócios contrabalançando alerta de retomada demorada da economia feito por Powell. Petróleo supera US$ 31 com corte de produção nos EUA e em outros países. Calmaria externa pode amenizar efeito do novo salto local dos casos de coronavírus. Na contramão do arrefecimento nos EUA e Europa, Brasil superou a Espanha como 4º maior foco da pandemia. Receio de que embarques sejam prejudicados no país leva minério de ferro a apagar perdas no ano. Na política, a tensão que já aumentou com a saída de Teich da Saúde é renovada por denúncia de vazamento de operação da PF que visaria filho de Bolsonaro, Flavio, que nega acusação. Reação dos bancos contra pauta bomba, segundo Valor, também pode trazer cautela, assim como os ainda pendentes veto aos reajustes e vídeo do caso Moro x Bolsonaro. BC, que segue no foco após não ter feito intervenção na sexta apesar da alta dólar, faz repo e inicia rolagem de swaps hoje. Agenda destaca IGP-10 e IPC-S, que devem mostrar deflação se aprofundando, Focus e vencimento de opções, além de reuniões de Guedes com presidente e bancos. Bom dia e boa semana a todos.

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