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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 18/03/2020

Ontem: Medidas dos EUA que podem chegar a US$ 1,2 trilhão em gastos, incluindo o adiamento de pagamento de impostos e o envio de cheques de US$ 1.000 ou mais aos americanos em duas semanas, para fazer face aos impactos do coronavírus, animaram as bolsas americanas e também o Ibovespa ontem. Também chegaram a fazer com que o dólar revertesse momentaneamente a alta. Ao final da tarde, o dólar operava em queda, abaixo de R$ 5,00, enquanto o Ibovespa encerrou a sessão em alta de quase 5%. Já os juros futuros despencaram, inclusive na parte longa da curva. A precificação de corte da Selic para a reunião do Copom de amanhã supera 0,50 pp, o que significa que esta dose está totalmente embutida e ainda existem apostas marginais de que a flexibilização seja mais intensa. BC limitou-se a realizar um leilão de linha de US$ 2 bi, o que aumenta a expectativa de que alguma medida relativa ao câmbio seja também anunciada no Copom. Sessão do Congresso para votar o orçamento foi cancelada e a CCJ adiou a leitura do parecer da PEC emergencial, do pacote de Paulo Guedes, o que reforça o temor de adiamento das reformas. O Senado instituiu sistema de votação remota.


Hoje: Copom deve ter uma de suas decisões mais complexas nesta quarta-feira. De um lado, alguns bancos já começam a falar em crescimento zero do PIB ou até recessão devido ao coronavírus, o que abriria espaço à redução de até 1 pp da Selic. Um alívio agressivo também se justificaria pelos cortes já feitos pelo Fed, mas poderia levar a uma pressão ainda maior no dólar, já negociado em nível recorde acima de R$ 5,00. Por isso, alguns analistas esperam redução menor dos juros. Quem prescreve corte mais arrojado defende que o BC, para apoiar o real, anuncie conjuntamente um programa amplo de intervenção cambial. A mediana das estimativas indica redução de 0,50 pp. Mercado externo tem manhã tensa, com bolsas, petróleo e moedas pares do real em queda acentuada. Humor negativo se impõe com pandemia ainda parecendo longe do seu auge e após Mnuchin alertar que, se pacote de US$ 1 tri não for aprovado, desemprego nos EUA pode ir a 20% em crise pior que a de 2008. No Brasil, expansão fiscal também entra no radar com pedido de reconhecimento de estado de calamidade pública por Bolsonaro, que comunicou teste negativo de Covid-19. Presidente -- que está mudando o tom, segundo o Valor -- diz que dará coletiva com presidentes do STF e Câmara.


Bom dia a todos.

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