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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 17/05/2019

O caldo de mau humor no mercado doméstico cresceu ontem e os ativos brasileiros ampliaram as perdas, em meio à alta do dólar no mercado internacional. A notícia de que uma mina da Vale pode ter ruptura de estrutura entre os dias 19 e 25 pegou a bolsa em cheio e respingou nos demais mercados. Além disso, a Fitch chamou atenção para a falta de crescimento da economia brasileira, problema que não será resolvido mesmo que uma reforma robusta da Previdência seja aprovada, segundo Rafael Guedes, diretor da agência. O mercado também não gostou de uma sinalização dada por Hildo Rocha, relator do projeto do governo que pede ao Congresso a liberação de um crédito suplementar de R$ 248,9 bi. Ele sugeriu que parte desses recursos poderia vir do superávit do BC ou das reservas internacionais, segundo o Estado. Foi a senha para que o dólar superasse as máximas da manhã, chegando a superar R$ 4,05, rumo ao maior nível desde setembro do ano passado. Tudo isso somou-se à percepção de perda de capital político do governo, com a falta de articulação no Congresso, protestos da quarta-feira e suspeitas contra Flávio Bolsonaro.

No exterior, as bolsas americanas subiram pelo terceiro dia consecutivo em movimento de recuperação, em meio a dados da economia considerados positivos. Pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA diminuíram, índice de perspectivas de negócios do Fed de Filadélfia subiu e a construção de novas residências superou as expectativas. Os dados sólidos dos EUA ofuscaram fraqueza doméstica recente, enquanto o sentimento negativo com a guerra comercial deve continuar preponderando por enquanto e favorecendo o dólar. O petróleo disparou para a maior alta em duas semanas, após a Arábia Saudita acusar o Irã de ordenar o ataque desta semana a suas instalações petrolíferas, alimentando as tensões entre as superpotências.

Hoje a aversão ao risco volta ao mercado externo. Nesta manhã, bolsas europeias e S&P futuro recuam, enquanto o dólar e o iene se fortalecem após a China sinalizar endurecimento da retórica na guerra comercial com os EUA. Alguns ativos sobem no exterior, mas não necessariamente são motivos de comemoração. Petróleo avança com tensão no Oriente Médio, enquanto Petrobras mantém preços desde 17 de maio. Minério ruma aos US$ 100, mas a maior mineradora brasileira caiu ontem com MP vendo risco de mina romper. Noticiário segue desencorajador para ativos. Jornais criticam forma de governar de Bolsonaro e noticiam que líderes temem agravamento da turbulência com ameaça de novos protestos no fim do mês, enfraquecimento da economia e investigações sobre o senador Flavio Bolsonaro, que tem negado todas as alegações de irregularidades. Em meio a dificuldades no Congresso com votações de MPs, deputados já estariam propondo blindar a reforma da Previdência para trocar a tramitação sem defender do governo.



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