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  • Mateus Cosac

Morning Call - 13/08/2019

A onda de aversão ao risco nos mercados cresceu ontem e afetou principalmente os emergentes, com a forte vitória da oposição nas eleições primárias da Argentina, trazendo a possibilidade de eleição, até em primeiro turno, da chapa liderada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner nas eleições de outubro. Isso foi somado ao recrudescimento dos protestos em Hong Kong e às tensões comerciais EUA-China, que já afetavam os mercados na semana passada. O dólar voltou a superar os R$ 4,00 pela primeira vez desde o final de maio, suavizando movimento a partir do final da manhã, encerrando o dia aos R$ 3,98. Já o Ibovespa fechou perto das mínimas, com queda de 2%. Os juros futuros subiram, porém com menos intensidade do que o dólar. O BC argentino atuou com venda de dólares e leilão de títulos com alta nas taxas dos papéis. Mercados sinalizam chance de crise de dívida na Argentina, com investidores se desfazendo de títulos de dívida do governo com medo de outro possível default. A probabilidade implícita de default nos próximos 5 anos, indicada pelo CDS argentino, subiu para 75%. Aqui, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que o Brasil está bem preparado para enfrentar crises, com reservas de US$ 326 bi.


No exterior, as bolsas americanas caíram. O S&P 500 teve queda de mais de 1%. A demanda por ativos mais seguros levou os yields das treasuries cederam abaixo dos 1,64% e o ouro a se aproximou do maior nível em 6 anos. A derrota expressiva de Macri na Argentina gerou entre investidores praticamente um consenso de que a oposição vencerá as eleições de outubro, com o retorno de Cristina Kirchner como vice-presidente. Alberto Fernandez, o principal candidato da oposição que tem Kirchner como sua companheira de chapa, levou quase 48% dos votos, contra 32% para Macri, com 99% dos votos contados. Se esse resultado for replicado em outubro, Fernandez assumiria a presidência sem a necessidade de um segundo turno.


Hoje as preocupações com a Argentina devem continuar preocupando os mercados. Bolsas e moedas emergentes seguem em baixa, embora com perdas menores do que as verificadas ontem. O candidato favorito Alberto Fernández nega default, mas critica modelo econômico atual. Ainda no exterior, o mercado monitora desdobramentos dos protestos em Hong Kong e CPI nos EUA. No Brasil, após Bolsonaro mostrar preocupação com disputa na Argentina, Maia diz que não se deveria interferir nas eleições de outros países.

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