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  • Mateus Cosac

Morning Call - 13/03/2020

Ontem: Quatro leilões de dólar à vista, um programa de recompra de títulos pelo Tesouro e dois circuit breakers na B3 deram a dimensão do pânico que se abateu sobre o mercado local nesta quinta-feira, em que o receio global com o coronavírus somou-se ao temor pelo fiscal no Brasil. Investidores estão se desfazendo de posições compradas em ações e doadas em taxas, e que eram protegidas por hedge no câmbio. Isso incluiu a venda de dólares, o que ajudou no movimento do BC e fez a moeda voltar dos R$ 5,00 atingidos logo na abertura para R$ 4,77 no final da tarde. A derrubada pelo Congresso do veto presidencial ao projeto que facilita acesso ao BPC foi decisiva para colocar de novo à mesa o receio fiscal e alterar as perspectivas muito benignas do mercado para a questão. Os juros futuros dispararam mais de 100 pontos e ficaram na maior parte do dia travados perto dos limites de máxima. A curva de juros começou a precificar alta da Selic na semana que vem. O Ibovespa, depois das duas interrupções, fechou em queda de 14,8%, a maior desde 1998. Presidência confirmou teste positivo de coronavírus em Wajngarten e presidente Bolsonaro, sem sintomas, submeteu-se a teste, segundo seu filho Eduardo Bolsonaro. No EXTERIOR, dúvidas em relação à eficácia das anunciadas pelo Fed e por Donald Trump no combate ao impacto econômico do coronavírus levaram as bolsas americanas a quedas superiores a 9%, na pior baixa em mais de três décadas. O S&P 500 entrou em bear market e apagou ganhos desde o fim de 2018. As bolsas americanas chegaram a reduzir as perdas depois que o Fed anunciou operação de recompra no total de US$ 500 bi. No entanto, os índices retomaram a queda em meio às dúvidas de investidores de que medidas extraordinárias de compra de títulos não sejam suficientes para combater o impacto econômico e financeiro do coronavírus. Segundo o BC americano, as mudanças foram realizadas para “enfrentar rupturas altamente incomuns nos mercados de financiamento do Tesouro associadas ao surto de coronavírus”. Donald Trump anunciou restrições de viagens entre os EUA e Europa, empréstimos para pequenas empresas e pediu ao Congresso isenção de impostos sobre folhas de pagamento. O humor piorou nos EUA com novas proibições de reuniões públicas no país e pela iniciativa de ligas esportivas profissionais de suspender operações.



Hoje: ETF brasileiro dispara 10% na Europa e recupera parte da perda de ontem, quando as bolsas, de Nova York ao Brasil, tiveram tombos históricos. Ativos brasileiros no exterior acompanham ganhos do S&P futuro e bolsas europeias, mas não há fato novo que aponte fim da turbulência. Ao contrário do que ocorre na China, no resto do mundo a pandemia do coronavírus continua ascendente e seus impactos se ampliam. BCs do Japão e Austrália se somam ao Fed em injeções de liquidez. No Brasil, BC recorre a leilões de linha após dólar surpreender com queda --depois de tocar os R$ 5,00 -- em meio a leilões ampliados de spot e zeragens de fundos. Bolsonaro diz que atos do dia 15 deveriam ser “repensados”. Governo anuncia primeiras medidas para conter o efeito econômico do vírus e Guedes se reúne com presidentes do BB e Caixa.


Bom dia a todos.

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