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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 10/03/2020

Ontem: O furacão para os ativos financeiros era já pré anunciado desde domingo, com o tombo do petróleo nos mercados internacionais juntando-se como risco ao coronavírus, e não deu outra: os mercados foram varridos por um sell-off geral nesta segunda, com números superlativos por todos os lados. O Ibovespa teve seu primeiro circuit breaker depois do Joesley Day, em 2017, fechou com queda de 12,2%, a maior em 21 anos, e entrou em bear market. O petróleo afundou mais de 25% e as ações da Petrobras mergulharam mais de 30%. O S&P 500 caiu mais de 7%, a maior queda diária desde 2008. O dólar chegou a beirar R$ 4,80 e o BC fez leilões de moeda americana à vista, no total de US$ 3,465 bi, o que levou a moeda a reduzir a alta, sem desviar do caminho de novo recorde de fechamento. Declarações do diretor do BC Bruno Serra de que a instituição vai intervir no câmbio pelo tempo necessário deram tênue alívio. Já a reintrodução da palavra “cautela” em política monetária, na sua apresentação, trouxe dúvidas ao mercado de juros e as apostas de corte da Selic tiveram leve redução. Ainda assim, o estresse geral fez com que taxas médias e longas fechassem sessão regular com mais de 20 pontos de alta. CDS Brasil 5 anos apagou os ganhos do governo Bolsonaro. Ao final da tarde, o dólar reduziu mais um pouco o avanço após o BC do México anunciar programa de hedge cambial para apoiar o peso mexicano, que chegou a cair 8% ao longo do dia. No EXTERIOR, as perdas chegaram a cerca de 19% desde a máxima histórica em 19/fevereiro, ameaçando o mais longo período de bull market que dura 11 anos. O rendimento das treasuries chegaram a cair abaixo de 0,5%. Com o coronavírus, o mercado que ja estava vulnerável à volatilidade, acabou sendo exacerbado pelo fato do petróleo. O preço dobarril desabou em meio a planos da Arábia Saudita e Rússia em aumentar a produção, enquanto o coronavívus provocou a primeira contração na demanda desde 2009.


Hoje: Após a tempestade perfeita que juntou guerra dos preços do petróleo e coronavírus ontem, hoje os mercados têm um respiro. As bolsas europeias e S&P futuro sobem e recuperam cerca da metade das perdas de ontem. Ajudam a melhorar o humor a possibilidade de pacote contra a crise nos EUA e sinais de alívio na epidemia na China, onde presidente Xi Jinping visitou epicentro do surto. Petróleo também sobe mas cautela persiste com Arábia Saudita e Rússia elevando suas produções. Reação das moedas emergentes é mais tímida e o real tem ajuda do BC, que oferta mais US$ 2 bilhões à vista após venda de quase US$ 3,5 bi ontem reduzir levemente a pressão, mas sem impedir fechamento recorde do dólar. Juros, que amenizaram as apostas em cortes, podem reagir à produção industrial. Volatilidade leva ao cancelamento de leilão de títulos prefixados e adiamento do IPO da Caixa Seguridade, segundo fontes. Na política, ruídos são renovados após Bolsonaro dizer ter provas de que foi eleito em 1º turno.


Bom dia a todos.

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