Buscar
  • Mateus Cosac

Morning Call - 07/03/2019

A volta do feriado do carnaval foi negativa para os ativos brasileiros, que acompanharam o mau humor externo, avesso ao risco diante de receios com perspectivas de crescimento, após dados recentes mostrarem desaceleração da economia americana antes da divulgação do payroll (amanhã). Mas tampouco as notícias internas deram alento. Nesta quarta-feira de Cinzas, causou desconforto o imbróglio gerado pelo presidente Jair Bolsonaro ao divulgar vídeo obsceno nas redes sociais em crítica a blocos de rua no carnaval. Ainda que analistas tenham divergido sobre o efeito do caso no mercado, o episódio foi considerado desnecessário, com risco de desviar as atenções sobre a reforma da Previdência. O dólar subiu ao maior nível deste ano, chegando a romper R$ 3,84 momentaneamente, com real destacando-se entre os piores desempenhos de moedas globais principais e divisas emergentes. Os juros futuros avançaram, na esteira do dólar, e a bolsa caiu 0,41% e rumou para a 4ª queda seguida.


No exterior, as preocupações com o crescimento dos EUA e o desenrolar das negociações comerciais com a China manteve os investidores no modo de cautela. As bolsas americanas caíram e o dólar avançou contra a maioria dos pares. O setor privado dos EUA criou 183.000 empregos em fevereiro, conforme divulgou o ADP ontem, abaixo dos 190.000 esperados - antes do payroll. Os EUA registraram déficit de US$ 59,8 bi na balança comercial em dezembro, maior do que a estimativa de US$ 57,9 bi compilada pela Bloomberg. A OCDE cortou a projeção para o crescimento global de 3,5% para 3,3% em 2019 e disse que a economia mundial está sofrendo mais do que o esperado devido a tensões comerciais e incertezas políticas.


Hoje o ambiente permanece negativo no mercado externo, com pequena baixa das bolsas, enquanto dólar se acomoda após 6 dias em alta. Mercados aguardam decisão do Banco Central Europeu e a fala de seu presidente (Draghi), em meio a expectativas de redução da estimativa para PIB europeu e eventual novo estímulo. Agenda externa ainda destaca seguro-desemprego e fala de Brainard nos EUA e balança da China pode sair à noite. Os jornais destacam a nota do Planalto explicando o episódio de ontem com Bolsonaro, que gerou críticas de opositores e apoiadores do presidente, incluindo militares, além de repercussão negativa na mídia estrangeira.




Posts recentes

Ver tudo

Morning Call - 18/06/2021

Ontem: Os juros futuros curtos e médios dispararam e a curva perdeu a inclinação após o Copom adotar uma comunicação hawkish e deixar janela aberta para acelerar ritmo de alta da Selic, caso as expect

Morning Call - 17/06/2021

Ontem: A previsão de dirigentes do Fed de que os juros nos EUA podem ter dois aumentos até final de 2023 - um ritmo de aperto mais rápido do que o esperado - trouxe pressão aos ativos no exterior e no

Morning Call - 16/06/2021

Ontem: Os juros futuros curtos estenderam a alta, no aguardo de decisões do Fed e do Copom. O dólar virou para a queda no período da tarde, com fluxo vendedor e também na esteira da expectativa de alt