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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 06/08/2021

Ontem: O humor do mercado local piorou sensivelmente à tarde, com o receio fiscal ofuscando a reação clássica do dólar e dos juros a um Copom hawkish, que não só acelerou o ritmo de alta da Selic, como sinalizou outra dose igual para setembro e ainda indicou política contracionista ao final do ciclo. As tratativas em torno do Bolsa Família, precatórios e Refis pesaram na cesta de preocupações fiscais do mercado, que teme artifícios em relação à política de teto de gastos. Bolsonaro renovou críticas a ministros do STF, o que aumentou o desconforto. E a aprovação da privatização dos Correios apenas permitiu uma melhora tênue, antes de o dólar renovar máximas após o presidente do STF, Luiz Fux, cancelar a reunião entre os três poderes. Pela manhã, moeda americana tinha chegado a cair 1,1% em reação ao Copom. Ao longo do dia, real saiu da posição de melhor divisa emergente para pior. Juros futuros subiram nos vértices curtos e médios, mas longos reverteram a queda com o estresse. E o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,1%, mesmo com a forte alta de Petrobras após lucro e boas promessas de dividendos. Lá fora, o S&P 500 e o Nasdaq bateram recordes, com os investidores ponderando resultados corporativos e dado de seguro-desemprego.


Hoje: Bolsas globais operam de lado e yields dos treasuries sobem antes de dados de emprego nos EUA. Últimos dados de seguro-desemprego reforçaram a expectativa de um payroll forte, que poderia renovar receios de retirada dos estímulos pelo Fed. Uma eventual maior volatidade externa poderia ser um golpe adicional para o sentimento do investidor doméstico, já afetado duramente pela deterioração dos riscos político e fiscal, que anulou o efeito do Copom hawkish. Reunião entre poderes cancelada pelo presidente do STF ampliou a tensão gerada pelas críticas de Bolsonaro a ministros da corte. Bolsonaro negou ataques ao STF, mas manteve críticas a Barroso e Moraes, e projeto do voto impresso foi rejeitado por Comissão. Do lado fiscal, a expectativa de aprovação do Refis, que já pesou nos negócios na tarde de ontem, foi confirmada pelo Senado. Ambiente tenso em Brasília dificulta para o mercado assimilar notícias mais favoráveis, como a aprovação do projeto de privatização dos Correios. Agenda fraca no Brasil traz dados da Anfavea e balanços.


Bom dia e bom final de semana

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