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  • Mateus Cosac

Morning Call - 06/08/2019

O endurecimento da guerra comercial entre EUA e China, após o país asiático deixar o yuan se desvalorizar ao nível mais fraco em uma década e ainda recomendar às estatais que suspendam importações de produtos agrícolas dos EUA, abalou os ativos globais nesta segunda-feira. Trump acusou os chineses de manipulação cambial e práticas comerciais injustas e ainda fustigou o Fed, engrossando sua cruzada por juros mais baixos. As bolsas desabaram no mundo todo, os rendimentos das treasuries despencaram, as moedas emergentes foram fortemente atingidas, ouro e iene subiram, com fuga do risco e busca por ativos considerados mais seguros. A curva de juros nos EUA, que mostrava expectativas de corte de 0,50 pp até janeiro, antecipou esse horizonte para outubro. Aqui, a curva do DI reduziu a precificação de corte da Selic em setembro, mas analistas ainda acreditam numa redução de 0,50 pp, levando as dúvidas para a reunião seguinte. O dólar encerrou o dia na máxima, cotado a R$ 3,9775. O Ibovespa, a custo, conseguiu manter patamar de 100.000 pontos no fechamento (-2,51% aos 100.097 pontos).


Lá fora, prevaleceu a fuga dos ativos de risco. Bolsas globais, commodities e os juros caíram fortemente com o receio de que o aumento da tensão comercial prejudique o crescimento global e leve os EUA à recessão. Apesar de a moeda chinesa romper os 7 por dólar, o BC chinês disse que não usará o câmbio como instrumento na guerra comercial, o que não reverteu a queda do yuan. A taxa de câmbio atual do yuan está em nível apropriado com base nos fundamentos econômicos da China e oferta e demanda do mercado, disse presidente do BC chinês, Yi Gang. Lael Brainard, membro do Fed, disse que está monitorando muito de perto o comportamento dos mercados e que o BC dos EUA está comprometido em sustentar a expansão.


Hoje o S&P futuro sobe mais de 1% e as bolsas europeias avançam após a China fixar a taxa de câmbio do yuan em um nível mais forte do que o esperado por analistas durante a noite. Além de limitar a depreciação da moeda, o BC chinês negou acusação dos EUA de que o país manipula o câmbio. Alívio dos mercados ajuda moedas de exportadores de commodities a recuperar parte das fortes perdas de ontem, enquanto yield das treasuries sobe com menor aversão ao risco. Ativos brasileiros devem recuperar parte das perdas de ontem. Mercado ainda pode ser influenciado pela retomada da votação da reforma da Previdência, que pode ocorrer hoje. Governo mostra otimismo com aprovação, embora quórum seja um desafio.



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