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  • Mateus Cosac

Morning Call - 06/02/2020

O tom do comunicado do Copom, sinalizando ou não portas abertas para outro corte de juros em março, foi o principal foco dos mercados no final de tarde de ontem, uma vez que uma redução de 0,25 pp na Selic era tida como certa. Dados mistos de atividade, que colocaram dúvida sobre ritmo de crescimento, dissipação da alta de preços ao final de 2019 e surto do coronavírus foram novidades de dezembro para cá que reforçaram expectativas de corte. Ao mesmo tempo, o dólar galgou novos patamares e um tom mais dovish (mais flexível) teria pressão altista sobre a moeda americana pela visão de carry trade ainda pior. À espera da comunicação do BC, os juros curtos mantiveram-se estáveis, enquanto os médios e longos caíram. O dólar, que passou boa parte da tarde perto da estabilidade, recuou ao final do pregão, diante de um ambiente externo de menor aversão ao risco, que levou o Ibovespa à terceira alta seguida. Venda do BNDES de ações ordinárias da Petrobras testou o apetite pela empresa. No EXTERIOR, as bolsas americanas subiram em meio ao otimismo de que os esforços para conter a disseminação do coronavírus possam reduzir o impacto na economia. Relatos sobre possíveis vacinas sustentaram o movimento, apesar de a OMS ter declarado que ainda não existem terapias comprovadas. Pesquisadores chineses entraram com pedido de patente de uma droga experimental da Gilead Sciences que eles acreditam que possa combater o coronavírus.


Depois do fechamento do mercado, o COPOM anunciou o corte de 25 pp, levando a Selic ao menor nível histórico (4,25%aa), como era amplamente esperado pelo mercado. A grande novidade foi o comunicado bem diferente dos anterios. Nele a autoridade monetária disse “ver como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”.


Hoje os ativos locais devem reagir ao comunicado de ontem do BC. A não confirmação do esperado tom dovish (flexível) pode aliviar o câmbio e a curva longa dos juros. O Ibovespa pode acompanhar 4ª sessão de alta das bolsas globais com corte de tarifas pela China se somando à esperança de que o país tenha sucesso na contenção do vírus. Petrobras levanta R$ 22 bi em megaoferta, mas preço de R$ 30 fica levemente abaixo do fechamento de mercado ontem. Reação dos preços do petróleo, contudo, pode ajudar papel. Agenda fraca traz seguro desemprego nos EUA, na véspera do payroll, e Anfavea no Brasil, além de leilão do Tesouro, estreia de Locaweb na B3 e balanços.


Bom dia a todos.

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