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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 05/03/2020

Ontem: O mercado de câmbio praticamente ignorou o anúncio do BC de leilão de swap cambial para hoje e o dólar, depois de leve desaceleração da alta, retomou o impulso até encostar nos R$ 4,60 no fechamento, em novo recorde intradiário. Analistas discutem se BC foi tímido no anúncio ou se não há muito a fazer no cenário atual. O real é de longe a pior performance entre todas as moedas da cesta. Pesa forte sobre o câmbio a expectativa de que o Copom retome corte da Selic no próximo dia 18, na esteira da redução emergencial de juro feita pelo Fed na terça-feira e que tende a ser seguida por outros BCs, como o do Canadá. O próprio efeito dessa expectativa sobre o dólar leva alguns analistas a preverem que, se a autoridade monetária se decidir pelo corte, como pareceu inclinada pelo comunicado da véspera, este não será agressivo. A curva de juros já precifica totalmente uma redução de 0,25 pp na Selic e mostra apostas marginais de -0,50 pp. O Ibovespa reverteu queda do início da tarde com otimismo em relação a possível corte de juros. No EXTERIOR, as bolsas americanas ampliaram a alta depois que o Congresso concordou com gastos de emergência de quase US$ 8 bilhões para combater a propagação do coronavírus. Os índices abriram no terreno positivo com a expectativa de que outros bancos centrais e governos forneceriam estímulo às economias, depois do corte emergencial de juros feito pelo Fed. Resultado das primárias do partido Democrata favorável a Joe Biden, tido como moderado, também contribuiu para sentimento positivo. O Banco do Canadá reduziu a taxa básica de juros para 1,25% em meio a especulações de que o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu também tomariam medidas.


Hoje: O Banco Central volta a intervir no câmbio com o equivalente a US$ 1 bi em swaps, anunciado ontem, mas o impacto da ação é incerto. Alguns analistas consideram volume insuficiente para barrar a alta do dólar, que se aproxima dos R$ 4,60 em meio às apostas crescentes em corte da Selic. Efeito dos swaps também pode ser minimizado pela volta da aversão ao risco no exterior após Califórnia decretar emergência pelo vírus, que segue se disseminando fora da China. S&P futuro e yield dos treasuries caem, enquanto dólar sobe contra pares do real. Pessimismo por ora poupa as commodities, que sustentam ganhos com expectativa de estímulos de BCs e governos. Agenda destaca balanços no Brasil e pedidos às fábricas e de bens duráveis nos EUA. Bolsonaro e Guedes buscam apoio às reformas na Fiesp após acordo assegurar manutenção de veto do presidente no Congresso.


Bom dia a todos.

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