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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 03/09/2019

A liquidez fraca dos mercados pelo feriado do Dia do Trabalho nos EUA potencializou nos ativos brasileiros os efeitos negativos do exterior ontem. No âmbito da guerra comercial, a dificuldade de se montar um calendário de encontros EUA/China por desconfiança entre ambas as partes deixou os investidores globais desanimados. Já a adoção de controle de capitais pela Argentina para evitar uma fuga maciça de dólares reverberou principalmente nas moedas de países latino-americanos. O real, peso colombiano, chileno e mexicano foram as quatro divisas que mais perderam para o dólar entre 24 emergentes. O dólar chegou a subir acima de R$ 4,18 e a aceleração da alta se deu sobretudo à tarde, sem notícia específica, mas no vazio da baixa liquidez. Os juros futuros acompanharam a alta. E o Ibovespa acabou por ceder ao ambiente negativo, depois de oscilar entre alta e baixa ao longo do pregão.


No exterior, os futuros das bolsas americanas caíram com a notícia de que autoridades chinesas e americanas encontram dificuldades para agendar reunião planejada para este mês para darem continuidade às negociações comerciais, depois que Washington rejeitou o pedido de Pequim para adiar tarifas que entraram em vigor no fim de semana. O Ministério do Comércio da China disse que planeja registrar queixa na Organização Mundial do Comércio contra as tarifas dos EUA em processo de solução de controvérsias. A data da visita de autoridades chinesas à capital dos EUA ainda não foi definida, embora isso não seja necessariamente sinal de que ainda não vai acontecer.


Hoje as bolsas externas e as commodities caem com sentimento negativo nos mercados antes do retorno de Nova York do feriado. Notícia de que EUA e China estão tendo dificuldades para agendar um encontro após entrada em vigor das tarifas domingo ajuda a minar confiança, juntamente com os protestos em Hong Kong e o impasse político do Brexit. A libra chegou a cair abaixo de US$ 1,20 com possibilidade de nova eleição no Reino Unido. Aversão ao risco valoriza iene e ouro e derruba yields das treasuries. Mercado monitora ainda pulso da economia global e expectativas sobre Fed com PMI e ISM nos EUA. Caso o câmbio por aqui siga pressionado, deve fazer reemergir a expectativa de ação mais forte do BC, que tem programado para hoje um leilão conjugado. Agenda destaca produção industrial de julho, que abre o 3T com expectativa de alta m/m após PIB acima do previsto no trimestre passado. Na política, Bolsonaro pode anunciar vetos a abuso de autoridade e governo busca regra para reduzir gastos com servidor.


Bom dia a todos.

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