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  • Pedro Hernandez

Morning Call - 01/03/2019

O sentimento negativo no exterior, com receios persistentes relacionadas aos riscos comerciais e geopolíticos, pesou nos mercados globais e particularmente nos emergentes ontem, levando ativos brasileiros a perdas fortes no último dia do mês e antevéspera de feriado prolongado por aqui. A lista de preocupações abrange a demora em uma resolução comercial entre EUA e China, o fim abrupto da cúpula da Coreia do Norte, o aumento das tensões entre Índia e Paquistão e a direção da política monetária americana. Dados fracos da China também desfavoreceram as moedas emergentes ontem. Além disso, a fala de Bolsonaro admitindo recuo na reforma antes mesmo da PEC começar a tramitar no Congresso adicionou mau humor aos ativos por aqui. O dólar e os juros futuros subiram, e o Ibovespa caiu abaixo dos 96.000 pontos (-1,77% aos 95.584 pontos), sob pressão de Ambev, com crescimento de vendas decepcionante, e de Petrobras, após diretrizes da cessão onerosa desfavorecerem a estatal. Crescimento do PIB do Brasil foi considerado fraco, levando a várias revisões para baixo em estimativas para o ano. No mês, o real caiu 2,66% e o Ibovespa caiu 1,86%, único índice relevante a recuar no mês.


Nos EUA, a expansão da economia foi melhor do que a esperada, o que ajudou a aliviar receios de uma recessão no curto prazo e deu impulso aos rendimentos das treasuries e ao dólar. O PIB anualizado dos EUA cresceu 2,6% no 4T ante estimativa de 2,2%. Apesar disso, as bolsas americanas caíram levemente com as preocupações sobre o comércio e riscos geopolíticos.


Hoje o Ibovespa pode ganhar um alívio “made in China” após duas quedas seguidas e acompanhar as bolsas internacionais, que sobem na sequência do resultado acima do previsto do PMI Caixin no país asiático. Commodities também se valorizam, ainda que sem animar moedas emergentes. Dólar se sustenta com perspectiva de fortalecimento da economia americana após PIB na véspera, o que reforça atenção com novos dados nos EUA nesta sexta, como os de gastos e renda pessoal e o ISM. Outro fator de cautela é o feriado de carnaval. O mercado brasileiro só reabre na Quarta de Cinzas, mas Nova York e outras praças funcionarão normalmente, o que deixará o investidor exposto a eventuais surpresas em termos de indicadores ou evoluções de outros fatores, como a guerra comercial no exterior e o quadro político no Brasil.







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