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  • Mateus Cosac

Morning Call - 01/02/2019

O tom mais dovish (flexível) do que o esperado pelo Fed na quarta-feira foi o retoque final perfeito para um janeiro de ganhos e de otimismo para os ativos brasileiros, exatamente o primeiro mês do governo Bolsonaro. A bolsa subiu ontem com Bradesco na liderança, após balanço melhor que o esperado. Por pouco, o índice não bateu outro recorde, mas ampliou a alta mensal a 10,82%, a maior desde janeiro do ano passado e o mais alto entre as principais bolsas do mundo (vide quadro abaixo). O que impulsiona o mercado são os sinais cada vez mais reforçados de que uma reforma da Previdência até mais robusta do que a proposta de Temer poderá ser aprovada em breve. E a isso se somou o humor do mercado externo, reforçado pelo recado do Fed. Janeiro foi um mês de alta nas bolsas pelo mundo e de queda do dólar frente as principais moedas da cesta. Por aqui, o dólar encerrou o mês firme abaixo dos R$ 3,70 (R$ 3,6468), menor nível desde outubro. Em janeiro, caiu 6,24%, primeira queda mensal em 3 meses. Os juros futuros desabaram e a discussão sobre espaço para corte da Selic ganhou força.

No exterior, as bolsas americanas lideraram alta em janeiro, depois de um final de ano agonizante. Balanços melhores do que o esperado e a reviravolta do Fed foram os principais responsáveis. A postura da autoridade monetária americana abriu a porta para apostas de que o próximo passo possa ser um corte de juros. O presidente Trump disse que as negociações comerciais estão indo bem, porém nenhum acordo será finalizado até que ele se encontre com o presidente chinês, Xi Jinping. Futuros de minério de ferro na China ampliaram os ganhos para o maior nível de fechamento desde agosto de 2017. E o petróleo rumou para um ganho recorde para um mês de janeiro, +18,45%

Hoje o mercado global inicia o dia mais cauteloso, com dólar em alta contra moedas emergentes. Investidores agora esperam payroll nos EUA, enquanto atividade chinesa medida pelo PMI Caixin decepciona. No Brasil, eleições no Congresso testam otimismo com reformas que ajudou a puxar bolsas e derrubar dólar e juro futuro na véspera. Embora surpresas não sejam descartadas, Maia e Renan são favoritos e teriam apoio de Guedes, enquanto Bolsonaro sinaliza pragmatismo. Agenda traz produção industrial de dezembro e balança e PMI de janeiro, dados já sob novo governo. Governo flexibiliza LCA, o que pode favorecer agronegócio. No noticiário corporativo, Petrobras vende debêntures com taxa abaixo do Tesouro e GM negocia investimento de R$ 9 bi.





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